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domingo, 22 de junho de 2008
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) [CONCLUSÃO]
In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues (conclusão)
Apesar dessa miríade de grupos de tendência marxista-leninista maoísta, o debate para a "reconstituição" do PCP [via COMORG, i.é., Comissão Organizadora do Congresso de Reconstituição do Partido] fez-se principalmente entre as direcções da ORPC(m-l), do CMLP e da OCMLP.
Numa primeira fase, onde um violento criticismo imperou["oportunismo", "trotskismo", "espontaneísmo", "teoricismo", "dogmatismo", "autocrítica", "sectarismo", "cisionismo", "direitismo", "praticismo", "pontos de principio", "espírito de grupo", "golpe anti-partido", eram os termos e epítetos mais utilizados na refrega política por todas as organizações, principalmente por meio da imprensa partidária], perante as críticas e divergências da então direcção da OCMLP face ao processo reconstitutivo do partido, as direcções da ORPC(m-l), do CMLP e um grupo de ex-quadros da própria OCMLP (em dissidência com a sua organização), decidem avançar de vez para o Congresso da Reconstrução do PCP – agora denominado PCP(R) – e que teve lugar entre os dias 27 de Dezembro de 1975 e 5 de Janeiro de 1976. [ADENDA (29/06/2008): sobre o processo de integração da OCMLP no PCP(R), ler os comentários a este post]
Curiosamente, em todo este processo de "reconstrução" do PCP [em pleno PREC] está presente e marca um papel fulcral, "tomando a direcção das operações" e "dando conselhos" via COMORG [in entrevista a FMR, já referida], Diógenes Arruda um dos míticos comunistas brasileiros [do PCdB, refundado em Fevereiro de 1962 e antes PCB, editando Arruda na época o estimado periódico "Problemas", onde escreveram Luís Carlos Prestes, Carlos Mariguella e, até, Roger Garaudy e Togliatti. Diógenes Arruda veio de França, onde estava exilado desde a sua libertação das prisão brasileiras em 1972 - ler aqui uma sua curiosa entrevista - logo a seguir ao 25 de Abril, oferendo-se para ajudar no processo de "reunificação dos comunistas" portugueses. Morreu a 25 de Novembro de 1979 (ano em que foi amnistiado), no dia em que chegou do exílio (a S. Paulo) o seu companheiro João Amazonas (falecido em 2002) e quando ia com ele no carro].
Com o surgimento do PCP(R), Francisco Martins Rodrigues é eleito para o seu Comité Central, mas seis meses passados uma nova reformulação é feita (sob influência de Diógenes Arruda – cf. Morais, ibidem) e é destituído do C.C., passando a ser redactor do jornal da organização, o "Bandeira Vermelha".
Mais uma vez a questão do "porte na prisão" de FMR tinha regressado. E com ele (velhas) novas questões se colocavam no noviciado partido: a questão do centralismo democrático, agora transformado (segundo FMR) em centralismo estalinista; a questão da matriz e natureza socialista da antiga URSS; a degenerescência do modelo da China Popular e a situação da Albânia; a questão da etapa da revolução e a crítica agora feita à sua concepção dimitrovista [o que não deixa de ser uma curiosa ironia para FMR, dado que até então a linha estabelecida - etapa da revolução democrática-popular, parte integrante da revolução socialista - e que deu sustentação a todo o movimento marxista-leninista português, de tendência maoísta, foi trabalhado teoricamente por ele próprio, o "camarada Campos"]. Isto é, de novo e "na ordem do dia" para FMR, a questão era qual a "linha proletária" a seguir: conciliação e luta reformista ou revolução proletária [vidé entrevista de FMR e ler a este propósito o livro de FMR, "Anti Dimitrov 1935-1985 Meio século de derrotas da revolução", em que, curiosamente, as criticas de pensadores autogestionários e libertários de antanho à natureza socialista da ex-URSS estão praticamente ausentes].
Por tudo isso, Francisco Martins Rodrigues, em ruptura com os dogmas dos seus camaradas sai (em 1983) do PCP(R) e cria o colectivo comunista "Política Operária", publicando a revista do mesmo nome. Em 1984 funda a OCPO - Organização Comunista Política Operária.
Morre, em Lisboa, na madrugada de 22 de Abril de 2008.
NOTA: este In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues teve 7 (sete) longos posts (que podem aqui serem lidos). Com inteira justiça, diga-se. Francisco Martins Rodrigues ou o "camarada Campos" marcou decisivamente parte de uma geração em Portugal. Geração essa, da década de 70, que se era já de um outro tempo e certamente recolhida a outro noviciado discurso, pela sua atitude de revolta, a sua radicalidade perante a mudança, a sua "paixão do compromisso" e o seu amor romântico da revolução e da vida - mesmo que os silêncios consentidos fossem já ensurdecedores - muito ficou a dever ao "camarada Campos" e às "situações" por ele e outros (re)criadas. Daí este In Memoriam!
J.M.M.
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - VI PARTE
In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues – VI Parte
Com o 25 de Abril de 1974, Francisco Martins Rodrigues sai da prisão [ler aqui] e ingressa como militante no CARP(m-l) [Comité de Apoio à Reconstrução do Partido marxista-leninista - organização fundada em 1973 (na Itália), "possivelmente pelo próprio FMR", que se reclamava "continuadora do CMLP de 1964" e editava o jornal "Longa Marcha". Algum tempo depois o CARP(m-l) funde-se com o [maioria] grupo "Luta Comunista" (de muita reduzida expressão, constituído em 1972, em parte, por elementos “saídos” ou “expulsos” de uma outra organização, "O Comunista" – cf. Foice e Martelo, no2, Julho de 1975), mantendo a mesma designação e passando a publicar o jornal "Luta Comunista"].
Depois, no decorrer do processo de unificação de três organizações [CARP(m-l), URML e os CCRML, organizações que já tinham patrocinado a formação da UDP para concorrer ao acto eleitoral], é criada [Maio de 1975] a ORPC(m-l), isto é a Organização para a Reconstrução do Partido Comunista (marxista-leninista) [publicava o jornal "A Causa Operária" e tinha como órgão teórico a "Revolução Proletária"], onde vai militar FMR que, aliás, dirige o seu jornal. A reunificação desses diferentes grupos marxistas-leninistas na ORPC(m-l), não sendo totalmente pacífica foi, porém, decisiva para a levar em frente a reunificação da corrente marxista-leninista, o que passado mais algum tempo se concretizará, não sem as habituais e costumeiras dissidências.
De notar que a partir de 1968 e da "implosão" do CMLP, surgem uma série de organizações, comités e grupos que se reclamam do marxismo-leninismo [que na noutra ocasião falaremos melhor], todos eles "lutando" pela reconstrução do partido comunista, considerado por todas elas como sendo "revisionista". Interessa, por agora, registar que para além das organizações que se reuniram na constituição da ORPC(m-l), existiam outras como a OCMLP [nascida em 1973 da fusão entre o grupo "O Comunista" (criado por elementos ex-CMLP em Paris, 1968) e elementos em volta do jornal "O Grito do Povo" (Porto, no1, Dezembro de 1971), que passou a publicar o jornal com o mesmo nome e que era, de entre todos os grupos, o que tinha maior implantação na "luta de massas"], o CMLP [que ressurge com esse nome, no pós-25 de Abril, via dissolução do PCP(m-l) de "A Verdade" – ou denominada facção "Mendes" (Carlos Janeiro) do PCP(m-l) em contraposição com a facção "Vilar" (Heduíno Gomes) do mesmo partido - na chamada III Conferência do CMLP (Abril de 1975) e como resultado do debate verificado nas reuniões preparatórias do "VI Congresso" do PCP(m-l)], a UCRP(m-l) [organização resultante da "fusão" da UCML (constituída em Dezembro de 1973 por ex-Fapistas, via extinção do CCP – Comité Comunista de Portugal - , em 1971 e que publicava o jornal "A Classe Operária") com a UCRP(m-l) (formada por elementos dissidentes da OCMLP e organizados depois em volta dos núcleos José de Sousa, que surgem em 1973), em Setembro de 1975 e que publicava o jornal "O Comunista", tendo mais tarde dado origem ao PC(M-L)P], o CRC(m-l) [que aparece em Outubro de 1971 e que foi mais conhecida pelos seus "Comités de Guerra Popular"], isto é organizações que de um modo ou outro se consideravam autênticas organizações m-l (incluindo-se, do mesmo modo, aquelas que deram origem à ORPCm-l) e que mantinham entre elas sérias divergências [que retrocedem, mesmo, ao tempo da linha ideológica e estratégica que então guiaram a FAP/CMLP].
Como se sabe, a dissidência e as cisões marcaram, tanto nesse tempo como depois do 25 de Abril, essas mesmas organizações. Deixámos de fora, por ultrapassar a finalidade deste post, outros grupos como o PCPml [de Heduíno Gomes Vilar], "O Bolchevista" (ou CML de P), o comité "ARCO" (Porto), o grupo "A Vanguarda" ou o MRPP. Ou, para sermos ainda mais exactos, podíamos incluir também os elementos presentes na "Associação Georges Politzer", os que se agruparam à volta do jornal "Margem Esquerda" e, mesmo, aqueles que publicavam o jornal "Lutar no mar, lutar em terra".
[a continuar]
J.M.M.
terça-feira, 10 de junho de 2008
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - V PARTE
In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues – V Parte
Preso Francisco Martins Rodrigues, é levado para a sede da PIDE, onde entrou no dia 30 de Janeiro, pelas 21,30 horas [cf. Privação do Sono, por FMR, edição do Comité Contra a Repressão à Luta do Povo Português, s.d.]. Foi interrogado pelo chefe da brigada da PIDE, José Gonçalves, espancado e seguidamente foi levado para uma outra sala onde lhe é imposto a privação do sono [id. ibidem. Ver, ainda, entrevista de FMR, já citada]. Ao fim de ignominiosos oito dias, em que as alucinações, os vexames, os espancamentos, as euforias e os delírios - resultantes desses dias sem dormir - começa FMR a descrever factos e situações [explica, por exemplo, como "mataram o Mateus"] e assina um auto comprometedor. Depois deram-lhe a possibilidade de dormir ["dois dias"], para lhe retomarem a privação do sono e demais torturas, por outros dez dias.
No final, tinha dado indicações preciosas sobre a organização, "automaticamente sem raciocinar sobre o significado do que estava a fazer" [ibidem, p. 32]. Refira-se que, em posfácio, FMR analisa a descrição feita da sua privação do sono, considerando que tal privação não justifica, por si só, o ter revelado aspectos da organização. E que nem a resistência física ou nervosa, a dignidade ou a honra, pode explicar a sua atitude, mas unicamente a "firmeza comunista", nascida da combinação entre a teoria e pratica revolucionária. Francisco Martins Rodrigues envia, mesmo, para o Comité do Exterior do CMLP (Paris) a sua "autocrítica", considerando que "não tem mais direito ao título de comunista". É bom de ver que o acontecimento ["uma ferida grande", segundo FMR] o acompanhou ao longo da sua vida, mesmo já depois de estar em liberdade, fornecendo acesos e infindáveis debates sobre o "porte na prisão", assunto transversal a todas as organizações comunistas, de extrema-esquerda ou não e que (de)marcam posições, críticas, afastamentos e lutas ideológicas entre os militantes e a putativa "linha revolucionária".
A 5 de Maio de 1970, no Plenário Criminal da Boa Hora, "sob presidência do desembargador [Fernando António] Morgado Florindo" [in República, 13 de Maio de 1970] e na cadeira do Ministério Público, o adjunto do procurador da República, Costa Saraiva, foi feita a leitura do acórdão final contra FMR, Rui d’Espiney e João Pulido Valente. Assim, em cúmulo jurídico, FMR foi condenado a 20 anos de prisão maior, a Rui d’Espiney, 19 anos e para Pulido Valente, 15 anos. Registe-se que a sentença não foi lida perante os interessados, dado a "atitude de falta de respeito ao tribunal" e o pronunciar de "gritos subversivos e frases ofensivas dirigidas aos juízes" anteriormente [ibidem], ficando os três réus nos "calabouços da Boa Hora". Ao que é referido pela CNSPP [Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos] no seu livro, "Presos Políticos. Documentos de 1971", p.36-37 [Afrontamento, Março-Abril 1972] todo o julgamento foi "fértil em incidentes", tendo a certa altura "o juiz assessor Bernardino dito que se fosse ele a presidir, já há muito que tinha acabado com tais protestos e requerimentos". Na verdade, o depoimento pelos presos das torturas e espancamentos que sofreram pela PIDE e que os advogados dos réus [dr. Macaísta Malheiro, Joaquim Mestre e José Augusto Rosa] quiseram que constasse em acta e que exigiriam providências segundo a lei, por parte do Tribunal, era indiferente ao famoso juiz Bernardino. Por fim, registe-se que o recurso apresentado ao Supremo Tribunal de Justiça pelos advogados dos réus, levou à redução das penas para 19, 17 e 12 anos [ibidem] e que um parecer do prof. Barahona Fernandes sobre o documento da tortura da privação do sono aplicada a FMR, acima referido, constou do mesmo recurso, sem que se verificasse qualquer tipo de pronunciamento pelo Supremo Tribunal.
[a continuar]
J.M.M.
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - IV PARTE
In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues – IV Parte
A FAP e o CMLP (1964), organizações nascidas de ruptura ideológica e política com o PCP [veja-se o doc. proclamação da FAP: "O caminho da insurreição anti-fascista e da liberdade, s.l, 1964" ou a Revolução Popular, Outubro 1964, no1] e sem sólidas bases de apoio constituídas no "interior" do país, não tinham uma estrutura organizativa regular para o trabalho político que ambicionavam: reconstrução do PCP e ser guia da frente nacional anti-fascista. A entrada clandestina em Portugal dos três mais destacados militantes do CMLP (aqui, anteriormente, referidos), visava organizar e dotar a organização em Portugal dessa rede "revolucionária".
Como foi referido, João Pulido Valente, a 21 de Outubro de 1965, foi preso numa casa da Av. da República [por denúncia de Mário de Jesus da Silva Mateus, militante da organização e informador da PIDE], seguindo-se [segundo "Uma nota da PIDE", in jornal República, 24/02/1966, p. 15] a prisão de Sebastião Martins dos Santos [operacional da FAP na Margem Sul], João Evaristo de Jesus Martins [operário], Sebastião dos Santos Silva [estudante], Manuel Armando Jimenez Gonzalez Quirós (1939-1975) [Manuel Quirós, ex-PCP, militante do CMLP, foi professor do ensino técnico, foi preso político de 1965-69 (saiu da cadeia por doença), militou depois do 25 Abril no PCP(R). Dirigiu e traduziu diversas obras marxistas-leninistas (maoistas) para a editora Maria da Fonte e fundou a revista "Que Fazer?". Morre a 25 de Outubro de 1975], Victor Manuel Pinto Catanho da Silva e José Luís Machado Feronha [estudante].
No seguimento da "execução" do denunciante e "agente provocador" Mário Mateus [ocorrida no dia 26 de Novembro de 1965 - segundo o que é referido via Plenário da Boa Hora, in República, 13/05/1970, p. 16 - e não no princípio de Dezembro como dissemos, na "Quinta da Fronteirinha, próximo do Casal do Broco, Belas"], perante a debilidade organizativa do CMLP, Francisco Martins Rodrigues, a 30 de Janeiro de 1966, é preso "quando realizava um encontro conspirativo com Acácio Pinto Barata de Lima" [cf. "Nota da PIDE", jornal República, ibidem]. Seguiu-se a detenção do militante da FAP, João da Natividade Figueiredo, condutor do carro [cujo proprietário, Saúl Fernandes Nunes, posteriormente também é detido - idem, ibidem] que transportou para Belas os militantes do CMLP e a 14 de Fevereiro, é preso Rui d’Espiney. A tipografia da organização foi localizada a 19 de Fevereiro [é preso o seu "arrendatário" José Manuel P. de Carvalho Vilar] e a militante Rita G. G. d’Espiney [esposa de Rui d’Espiney] é, do mesmo modo, detida, tendo-lhe sido apreendido documentos e armamento variado [ibidem]. Fernanda Ferreira Alves Martins, o francês Jean Bernard Sanvoisin [presumido "correio da FAP"] e o advogado de FMR, Joaquim Monteiro Mathias são, do mesmo modo, presos [cf. Pimentel, Irene Flunser, "A História da PIDE", 2007, p. 183]. As fraquezas organizativas e conspirativas da organização, a "incapacidade de resistência dos seus militantes perante a polícia" [Correia, ob. cit.], a prisão dos seus elementos principais e intermédios, levam à decapitação do CMLP, "que apenas tinha conseguido atingir alguns sectores operários da margem sul e da cintura industrial de Lisboa" [cf. Costa, Ramiro da, "Elementos para a História do Movimento Operário em Portugal. 1820-1975", II vol, Assírio e Alvim, 1979, p. 201 – Nota: Ramiro da Costa era o pseudónimo de José Alexandre Magro, já falecido, que foi um importante militante da OCMLP e, depois, do PCP(R)], ficando no exterior [Paris e Bruxelas] um pequeno grupo ou dito "comité do exterior". Será via este comité que se publicará o Revolução Popular no7 [Agosto de 1966], anteriormente referido.
O movimento marxista-leninista, mesmo com o reagrupamento de alguns dos militantes do CMLP [ao todo 13] na chamada I Conferência do CMLP, em Janeiro de 1967, [curiosamente dá-se nessa conferência o afastamento (ou cisão) de alguns dos seus militantes - de nomes clandestinos Álvaro, Gomes, Octávio, Pedro e Saraiva - que via um panfleto denominado "Uma Fraude” (datado de Janeiro de 1967), tecem vários considerandos sobre a "luta ideológica" a seguir, referindo que "sempre se tentou impedir a reestruturação da direcção no interior", e apresentando como principal instigador desse facto um "antigo membro do Comité do Exterior", dizendo que "tem de terminar a fraude representada pelo grupo direitista que falam no estrangeiro em nome do proletariado português"], será caracterizado por constantes fragmentações, divergências e crises permanentes, que nascem de intrigas, lutas pelo poder ou mera luta pessoal [Correia, ibidem], a par de uma "verborreia" ideológica tortuosa e por vezes caricata. Ter-se-á que esperar até aos anos 70 para que no interior do país e em resultado das eleições de 1969, da crise económica, de uma maior consciencialização político-social [em que o Maio 68 marca um lugar especial] e, principalmente, da guerra colonial, para ver surgir novas organizações que tentam reunificar a corrente marxista-leninista [falaremos em próximos posts dessas organizações]
Nota: a foto, acima, com os três milItantes da FAP/CMLP - Francisco Martins Rodrigues, João Pulido Valente e Ruy d'Espiney -, foi retirada, com a devida vénia, da Fundação Mário Soares.
[a continuar]
J.M.M.
domingo, 25 de maio de 2008
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - III PARTE
In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues – III Parte
Foi referido [ver II parte ] que em Janeiro de 1964, em consequência da ruptura desenvolvida ao longo de 1963-64 no PCP, foi criado por Francisco Martins Rodrigues [FMR] e outros companheiros [entre os quais, como já foi dito, João Pulido Valente, Rui d’Espiney] a FAP [Frente de Acção Popular], que publicou o órgão "Acção Popular". O objectivo principal da FAP era "a união dos antifascistas e o desencadear da luta armada" [cf. Martins, João Paulo e Loureiro, Rui, "A extrema-esquerda em Portugal (1960-74)", revista História, no7, Março de 1980, p. 10], em consonância com a etapa da revolução preconizada pelos seus militantes: a "revolução democrática e popular".
[ver sobre este assunto, "Luta pacifica e luta armada no nosso movimento", documento de Campos (aliás FMR, ainda militante do PCP) em Dezembro de 1963; "Revolução Popular. Edição completa 1964-65 (fac-simile)", do Comité Marxista Leninista Português, Edições Voz do Povo, 1975; ou "A ruptura Política e Ideológica no Movimento Comunista em Portugal (1963-1964) " e, ainda, o "Comité Marxista-Leninista Português. Breve História de uma Organização Política (1964-1975) ", ambos de Helder Manuel Bento Correia, Portimão, 1999 e 2000, respectivamente; ou consultar a "Foice e Martelo", órgão teórico da OCMLP, no1, Fevereiro de 1975]
A questão da "etapa" da revolução é fundamental no seio dos agrupamentos "maoistas", em oposição à tese da "revolução democrática e nacional" apresentada pelo PCP [em 1954]. E, cremos, na linguagem marxista, esta não é, certamente, uma questão despicienda, bem pelo contrário. Basta atender, como exemplo, às várias divisões programáticas em torno dessa questão eminentemente "teórica" entre as diversas organizações e grupos marxistas-leninistas [grupos que, em próximos posts, pretendemos sumariamente apresentar] - ou, mesmo, entre esses e outros grupos radicais - o que conduziu a divergências assinaláveis e insanáveis entre os vários e putativos candidatos à "vanguarda do proletariado".
Ligados à FAP surgem os GAPs [Grupos de Acção Popular] que em Novembro de 1965 "actuam [...] contra as instalações da Polícia" em plena campanha eleitoral [cf. Martins & Loureiro, ibidem]. Porém, como anteriormente foi assinalado, a necessidade de "reconstrução do partido" e a condução da "luta armada" pela Frente Popular, conduziram ao aparecimento do CMLP [Comité Marxista-Leninista Português] em Abril de 1964 [publicou o seu órgão teórico "Revolução Popular", entre 1964 (no1, Outubro) e 1965 (no6, Dezembro)].
FMR visita a China [Verão de 1964] e a Albânia, para contactos com os respectivos partidos comunistas. Entretanto, os contactos feitos com elementos do PCP na emigração acabam por falhar. Ora, para estabelecer as bases da organização [CMLP] no interior, João Pulido Valente e Manuel [Claro] partem para Portugal. São denunciados como elementos "provocadores" no jornal Avante [no347, Dezembro de 1964, p.3]. Em Junho de 1965, via clandestina, tentam de novo fazer contactos em Portugal [fundamentalmente na região de Lisboa, entre alguns estudantes que tinham "aderido" à FAP], partindo [entraram por uma fronteira perto de Castelo Branco] FMR, Pulido Valente e Rui d’Espiney, para formar a direcção da organização do “"interior”".
[No exterior ficavam os militantes - cf. "Revolução Popular 7 e outros documentos do período de 1966/67 do movimento marxista-leninista”, Edições "O Comunista", s.d. – Belo, Jacinto Rodrigues, José Capilé, Coelho e Barros. Mais é referido [ibidem] que foram afastados do CMLP, por diversos motivos, Claro, Mário Silva e Moguinho]
A 21 de Outubro de 1965 é preso João Pulido Valente, por denúncia presumível de um elemento "infiltrado" no CMLP [Evaristo, aliás Mário de Jesus Mateus – in RP, no6] à PIDE. A prisão de Pulido Valente [que decorre dum "encontro marcado" com Mateus] e a suspeita enviada pelo próprio [na altura preso na Penitenciária de Lisboa], levou a que FMR e outros companheiros fizessem um interrogatório [em princípios de Dezembro de 1965, Belas, Sintra], onde Mateus confessa que colaborava com a PIDE "desde que tinha estado preso anos antes [na altura pertencia ao PCP] e a polícia lhe tinha oferecido a saída a troco de colaborar" [FMR, in entrevista a Carlos Morais, ibidem]. Como refere o no6 da RP [Revolução Popular] "uma vez provada a sua culpabilidade ... foi condenado à pena de morte" e executado. Tal facto, como é dado ver, foi anunciado publicamente no órgão do CMLP. Curiosamente, mesmo assim, a PIDE informa que foram elementos do PCP os responsáveis pelo assassinato de Mateus [cf. Martins, João Paulo e Loureiro, Rui, ibidem].
Os acontecimentos precipitam-se e os (poucos) militantes do CMLP/FAP no interior são presos (Sebastião Capilé, operário corticeiro é preso em Almada – cf. RP, no6); Francisco Martins Rodrigues em Janeiro de 1966 [preso à noite num encontro clandestino, perto do Largo do Rato e levado para a sede da PIDE] e Rui d’Espiney em Fevereiro, do mesmo ano. O CMLP/FAP ou a sua organização no interior desaparece ["três ou quatro elementos" restavam, segundo Mendes – cf. Helder Manuel Bento Correia, ibidem] ou, como vem referido na "Foice e Martelo", no1: "toda a base e ‘moral’ organizativa da FAP/CMLP se desmoronou".
[no exterior – segundo a RP, no7 (op.cit.), que assumia ser (ainda) o órgão do CMLP, mas que é posteriormente acusada de "trotskista" (Foice e Martelo, no1) – a sua composição era a seguinte: Belo, Jacinto Rodrigues, Coelho, José Capilé e Barros]
[a continuar]
J.M.M.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - II PARTE
In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues (1927-2008)-II Parte
A fuga de destacados elementos do PCP toma lugar de mito, na luta contra o regime salazarista [sobre a fuga de Peniche, ver Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política, de José Pacheco Pereira, Temas e Debates, 2005]. Francisco Martins Rodrigues, de novo em liberdade, é colocado em nova tipografia clandestina do partido [em Carnide, Lisboa], onde fica um ano. Em Maio de 1961, FMR sobe ao comité local de Lisboa [cf. Carlos Morais, ob.cit.], torna-se membro suplente do Comité Central e, depois, faz parte [1962] da sua Comissão Executiva [com Blanqui Teixeira, na altura membro do Secretariado no interior, mais Alexandre Castanheira], perante à prisão de uma série de elementos do partido. A vaga de prisões de militantes comunistas foi grande, no final de 1961 [foram presos Joaquim Pires Jorge, Octávio Pato, Américo de Sousa, Carlos Costa, Júlio Martins], o que levou a que o trabalho desses três membros da Comissão Executiva do Comité Central tivesse de envolver todo o país. Compete a FMR reunir com o comité regional da margem sul e com um outro dos arredores de Lisboa.
Com o começo da guerra colonial, foi-lhe pedido para "escrever um manifesto em nome do Comité Central" [ib.ibidem], mas o escrito não sai da tipografia, tendo sido retirado. FMR diz-nos que consideraram o seu manifesto "muito vermelhusco", fora do "espírito do partido" ou, segundo o próprio, muito ou demasiado "leninista", dado aí assumir-se a insurreição popular, em ligação com a luta colonial. Outro manifesto, em sua substituição, foi feito por Álvaro Cunhal. Os debates sobre a "linha do partido" são solicitados [a questão sobre a estratégia sobre a guerra colonial, ou a posição sobre as críticas feitas pelo comunistas chineses à URSS], porém face às medidas conspirativas existentes nem todos os membros do Comité Central se podiam reunir, o que limitava bastante a "discussão". Nessas reuniões, FMR levanta várias questões sobre a linha política tomada, escreve várias cartas à direcção, sem que tudo isso obtivesse alguma resposta. Na audição da rádio Pequim, vai assistindo, entretanto, às críticas feitas à linha do PCF [de Thorez], do PCI e as divergências da linha chinesa face ao Titismo.
No Verão de 1963 vai a Moscovo para uma reunião do Comité Central do exterior, para levar e apresentar um relatório [cujo autor foi Blanqui Teixeira] do secretariado do partido do interior, relatório esse que curiosamente "discordava", e para debater as suas "incompreensões" perante a linha do partido. Encontra-se com Álvaro Cunhal e Francisco Miguel, mas as divergências mantêm-se ao fim de três dias de debate [ver sobre este assunto José Pacheco Pereira, in Público, 24 de Abril de 2008]. A decisão que sai da reunião estabelece que FMR ficaria como membro do CC no exterior, deixando a Comissão Executiva. E, para acautelar possível actividade cisionista, propuseram a FMR ser secretário de Álvaro Cunhal. Cunhal diz na altura:"O camarada está a dizer que eu sou um oportunista, agora não fico à vontade a trabalhar com ele" [cf. Carlos Morais].
Em Outubro de 1963 vai para Paris, para integrar uma organização do partido. Em reuniões assiste a debates vivos criticando a linha seguida pelo partido contra a guerra colonial, a presumida "passagem pacífica ao socialismo" ou a crítica feita à revolução democrática e nacional, bandeiras do PCP. Sabe, entretanto, que João Pulido Valente e Rui d'Espiney, então na Argélia e em dissidência com o partido, pelo que trocam impressões. De seguida, abandona o PCP e funda, com mais pessoas [20, diz FMR], em Janeiro de 1964 a FAP [Frente de Acção Popular]. Questões de estratégia em torno do aparecimento da FAP e as criticas levantadas sobre o facto de existir a frente popular sem a direcção política do partido, leva à fundação do CMLP [Comité Marxista Leninista Português], onde se procurava "reconstruir" ou "refundar" o PCP, enquanto vanguarda da frente popular de massas contra o fascismo. O CMLP editou [1964-65] o jornal Revolução Popular.
[a continuar]
J.M.M.
IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - I PARTE
Nasce Francisco Martins Rodrigues [FMR] em Moura a 14 de Novembro de 1927. Seu pai foi oficial do exército [de onde foi expulso por ser oposicionista ao governo] e sua mãe era filha de pequenos proprietários de Moura [cf. entrevista de FMR, 25 de Agosto de 2004, a Carlos Morais]. Tinha mais cinco irmãos [cf. Público, 23 Abril de 2008], sendo o mais novo da família o pintor João Rodrigues. Face à situação económica difícil, a sua família muda-se para Lisboa [tinha FMR sete anos], encontrando aí o seu pai emprego e sustento. Estuda FMR até ao 6o ano do liceu, empregando-se depois numa livraria [durante 4 anos]. Posteriormente, vai trabalhar [1949] como "aprendiz de mecânico", na TAP [cf. Carlos Morais], onde permanece dois anos.
Em 1949 adere ao MUD [Movimento de Unidade Democrática] Juvenil, tendo sido preso [3 meses] e levado para o Aljube, quando se manifestava numa concentração contra a NATO, na avenida da Liberdade. Por isso mesmo é expulso da TAP. É libertado [1951], arranja emprego num estabelecimento de venda de frigoríficos [ib. ibidem], mas passa depois a dedicar-se totalmente ao activismo e à militância política no MUD Juvenil, ficando na sua Comissão Central e participando na campanha de Ruy Luís Gomes. É no MUD Juvenil que conhece o médico João Pulido Valente, que na altura tinha a missão de angariar fundos para a organização. É de novo preso [Maio de 1952], agora como "dirigente e funcionário" do MUD Juvenil, por ter feito pichagens e panfletos contra uma reunião da NATO, que iria decorrer no IST. É libertado condicionalmente e em Novembro, do mesmo ano, volta a ser detido, por fazer "campanha contra a vinda a Lisboa do general Ridgway, o criminoso da guerra bacteriológica na Coreia" [ib.ibidem], sob denúncia de um trabalhador da tipografia onde eram feitos os panfletos. Curiosamente, a tipografia ficava na mesma na rua da sede da PIDE, a António Maria Cardoso. Dadas as sucessivas prisões e o facto de viver com os pais, local de fácil acesso, levam-no a sair da sua casa, passando a residir em diferentes moradas e sob nomes falsos.
Em 1953 passa à clandestinidade, ingressando como funcionário do PC. Porém, como era "doente dos pulmões", o partido, por intermédio de um médico amigo, interna-o num sanatório para o necessário restabelecimento. É aí que passa quase todo o ano de 1954. Entretanto, na sua militância no MUD Juvenil tinha conhecido Maria Fernanda Alves, com quem veio a casar nesse mesmo ano de 1954 [sobre o papel das mulheres e companheiras durante a clandestinidade e o isolamento, ver a esse propósito "Clandestinas", 2004, de Ana Barradas, última companheira de FMR].
Em 1956, estava em Lisboa, "recuado" numa tipografia clandestina do partido, com mais cinco pessoas, entre elas o seu camarada Joaquim Carreira, secretária da célula e antigo operário de Marinha Grande [ib.ibidem]. Na altura produziam o material teórico sobre o XX Congresso do PCUS [que tinha decorrido a 14 de Fevereiro de 1956] e a consequente viragem [em resultado da tese da "coexistência pacífica", principalmente] operada pela então direcção do PCP. O próprio FMR [cf. Carlos Morais] nos diz que, desde logo, Joaquim Carreira entendia que tal documentação teórica lhe "cheirava a conversa social-democrata", pelo que chamaram um elemento da direcção do PCP para debater a questão. Júlio Fogaça [então membro do Comité Central] veio explicar a "viragem" política. Porém a saída nos jornais do famoso relatório Kruchev [onde Staline é acusado de crimes e atrocidades, bem como do culto da personalidade] instalou mais ainda a dúvida, quer no movimento comunista internacional [curiosamente a China Popular apoia o documento, para depois o criticar duramente. Enquanto isso o partido comunista italiano exigia uma “autocrítica” total sobre a construção do estado socialista na URS], quer entre os militantes comunistas portugueses, entre os quais estava FMR.
Durante um encontro, em Lisboa [1957], FMR é preso de novo, por denúncia, supostamente de um infiltrado no partido, e apanha três meses de prisão. Sua mulher é presa e levada para Caxias, onde nasce o seu segundo filho [cf. Público, ob. cit.]. FMR é levado do Aljube para Caxias e, posteriormente, para a cadeia de Peniche. Na prisão conhece vários dirigentes do partido, como Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Jaime Serra, e aí debate com os seus camaradas a "linha do partido", que acreditava se ter afastado da pureza do "leninismo".
No dia 3 de Janeiro de 1960 dá-se a conhecida e espectacular fuga da cadeia de Peniche, evadindo-se Francisco Martins Rodrigues, Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Pedro Soares, José Carlos, Guilherme de Carvalho, Rogério de Carvalho e Carlos Costa ["do interior a comissão de fuga era composta por Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes. Do exterior, organizaram a fuga Pires Jorge e Dias Lourenço, com a ajuda de Octávio Pato, Rui Perdigão e Rogério Paulo" – ler aqui ], mais o guarda que os auxiliou.
[a continuar]
J.M.M.
sábado, 28 de abril de 2007
27 ABRIL DE 1974: OS TRÊS ÚLTIMOS PRESOS POLÍTICOS
Os três últimos presos políticos
"A liberdade definitiva só chegou às 20 e 45 de ontem [27/04/74] para três dos presos políticos da Cadeia do Forte de Peniche. A essa hora, o major Azevedo, mandatário da Junta de Salvação Nacional, comunicou a Francisco Martins Rodrigues, Rui Pires de Carvalho d’Espinay e Filipe Viegas Aleixo que podiam abandonar livremente a casa onde lhes fora fixada residência (…)
Francisco Martins Rodrigues e Rui d’Espinay, de 46 e 31 anos, respectivamente, foram condenados a 19 anos e a 17 anos de prisão maior por serem dirigentes do Comité Marxista-Leninista Português e da Frente de Acção Popular, as primeiras organizações clandestinas que em Portugal seguiram uma linha política de tendência maoista. Exercendo a sua actividade política na clandestinidade, no interior do País, Francisco Martins Rodrigues e D’Espinay identificaram como agente provocador um elemento da PIDE, Mário Mateus, que procurava infiltrar-se naquelas organizações, e executaram-no a tiro, em Outubro de 1965. Foi o então chamado «crime de Belas». Mário Mateus, que trabalhava em ligação com o agente da PIDE de nome Cleto, lograra dar à polícia secreta pista para a prisão de João Pulido Valente, também dirigente daquelas organizações políticas revolucionárias, e libertado ontem (…)
Condenado à revelia num tribunal comum por ter participado com o capitão Henrique Galvão no assalto ao «Santa Maria», em Fevereiro de 1961, Filipe Viegas Aleixo exilou-se em França, donde partiu com Hermínio da Palma Inácio, no grupo da Liga de União e Acção Revolucionária que pretendia, em Agosto de 1968, tomar a cidade da Covilhã. Este grupo foi interceptado na zona de Moncorvo, pouco de pois de entrar em território nacional, e os seus componentes entregues à Direcção-Geral de Segurança. Torturado na Rua António Maria Cardoso, Filipe Aleixo foi condenado pelo Plenário do Porto a 19 anos de prisão maior, recolhendo depois ao Forte de Peniche donde, devido à sua idade, já não esperava sair com vida: saiu com 59 anos (…)"
[in, Diário de Lisboa, 28 de Abril de 1974 - via Almocreve das Petas]
J.M.M.
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