Saque do Recife
Saque em Recife é uma coisa muito comum, é só passear pela praia de Boa Viagem que corre o risco de sofrer um arrastão, ou se tiver greve da Polícia, imagina aí quantos boys do arrastão vão aparecer...
Mas nesse caso específico se refere a um saque que rolou no Porto do Recife que também foi chamado de Expedição de James Lancaster em 1595 e Expedição Pernambucana de Lancaster, já dizendo quem foi o "expedicionário" bonitinho que fez essas viagens foi esse tal de James Lancaster, um dos mais famosos corsários do Reino Unido e que foi a única dessas viagens de cartas de corso rumando ao Brasil com o objetivo que todo corsário tem: pirataria!
História[editar ]
Tudo começou após a tal da União Ibérica, que fez uma unificação bem cagada do Império Espanhol com o Reino de Portugal. Isso obviamente causou umas situações bem ruins com velhos parças de Portugal, como o que se tornaria os Países Baixos (que ainda estava em guerra contra a Espanha pra se libertar deles) e, claro, a Inglaterra, que também tinha tretado bem sério contra a Espanha, especificamente quando outro corsário famosinho, Francis Drake, conseguiu vencer a "Invencível" Armada dos hispânicos, então se tinha uma coisa que eles não deviam ser muito, era amigos de espanhóis.
Assim, justamente com essa vitória contra a "Invencível" Armada, os ingleses se apoderaram de manuscritos portugueses e espanhóis que detalhavam bem como era a costa brasileira e também, claro, as riquezas que saíam de Pernambuco durante o ciclo do açúcar, e isso deixou os ingleses com água na boca. Não sei se pelo açúcar, pelas riquezas ou ambos, mas deu, e eles, comandados pelo Lancaster, foram com tudo pra terra dos Brazilmen, saindo de Blackwall em outubro de 1594 e ao longo da navegação dele já foi capturando um monte de barquinhos espanhóis e portugas. Chegando na Mauritânia, o Lancaster descobre que ir atrás de barcos lá da Índia (que era o plano original) seria mais complicado do que catar um barco das Índias Ocidentais, que tinha encalhado no Porto do Recife e aí ele e suas quinze embarcações rumaram pra Capitania de Pernambuco.
Chegando no Porto do Recife, se depararam com três naus holandesas, o que muitos achavam que poderia dar merda, porém os holandeses só meteram o pé, ou melhor, o leme pra fora de lá e disseram "boa sorte procês!" E sorte eles tiveram mesmo: passaram UM MÊS INTEIRO comandando a ainda não capital de Pernambuco, porém a principal saída do Brasil Colônia pra Península Ibérica e também entrada deles. Esse corte de comunicações ferrou bastante com a situação e fez os colonos ajudarem os invasores, que enfim saíram de lá com as naus (inclusive umas fretadas a mais) lotadas de açúcar, pau-brasil, algodão e mais um monte de riquezas estimadas em mais de 51 mil libras esterlinas, das quais 6.100 libras ficaram com Lancaster e 3.050 foram direto para a saia da Rainha Isabel I da Inglaterra.
Isso levaria os espanhóis, putos não só com esse saque, como também com outros que rolaram em Trinidad e Caracas, tentaram retaliar na batalha de Cornualha, que não deu muito certo na real. Já em Recife o governador Matias de Albuquerque fez o que pôde pra tentar manter o local seguro, o que, como posteriormente saberíamos, não impediu os holandeses posteriormente repetirem a dose do que tentaram na Bahia também em Pernambuco, com resultados muito bons pros holandas, que transformariam o local na Nova Holanda por 24 anos, provando que o raio não só pode cair duas vezes no mesmo lugar, como na segunda vez pode não só dar um choquinho e sim chamuscar a porra toda...